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sábado, 16 de fevereiro de 2013



Nos círculos protestantes existem dois grandes eixos em relação à doutrina da predestinação: o Calvinismo e o Arminianismo. Calvinistas são seguidores de João Calvino (1509-1564) e arminianos são seguidores de Jacob Arminius. O calvinismo é comum entre presbiterianos, reformados e em algumas igrejas batistas. Metodistas, pentecostais e a maioria das igrejas batistas são arminianas. (Entre os católicos, os dois maiores grupos de discussão da predestinação são os Tomistas e Molinistas, seguidores de Tomás de Aquino (1225-1274) e Luis de Molina (1536-1600). Os tomistas enfatizam a ação da graça, enquanto que os molinistas enfatizam o livre-arbítrio (nenhuma das duas ignora a graça ou o livre-arbítrio). (1560-1609). 


Apesar de os calvinistas serem minoria entre os protestantes, suas idéias têm grande influência, principalmente nos EUA. Isso se deve parcialmente ao fato de que os colonizadores puritanos e batistas eram calvinistas, e também é relevante o fato de que o calvinismo é tradicionalmente encontrado em círculos intelectuais, o que lhe confere grande influência.


Os calvinistas afirmam que Deus predestina pessoas escolhendo quais delas irão responder ao Seu chamado à salvação. Essas pessoas são conhecidas como “os eleitos” (do grego eklektos, escolhidos). Estes não são salvos contra a sua vontade, porque Deus escolheu os que iriam querer se aproximar dEle em primeiro lugar. Os que não estão entre os eleitos são os “reprovados”, e estes não “querem” responder ao chamado de Deus, não responderão, e, então, não serão salvos. (Os calvinistas às vezes são mal-interpretados, pois costumam dizer que eles ensinam que a pessoas se tornam indiferentes quanto à sua salvação, já que elas já estariam incluídas entre os eleitos ou entre os reprovados. De acordo com os calvinistas é errado pensar que “bem, se Deus já me escolheu, serei salvo, se não, serei condenado, então vou sentar aqui e esperar”).

Os arminianos afirmam que Deus predestina pessoas anunciando (e não decidindo) quem irá aceitar a salvação. Ele faz esse anúncio baseado em sua presciência, que permite que se veja o que a pessoa irá fazer no futuro. Ele vê quem irá responder à sua oferta de salvação. Essas pessoas que se arrependem são os “eleitos” ou “povo escolhido”.

O debate entre calvinistas e arminianos é geralmente feroz. Cada grupo acusa o outro de estar pregando um falso evangelho, pelo menos do ponto de vista teórico, já que ambos, na prática, orientam as pessoas que serão salvas “somente pela fé”. (Entre os católicos o debate é mais suave. Desde a controvérsia sobre a graça no fim do séc. 16 e início do 17, tomistas e molinistas são proibidos de acusar um ao outro de ensinar heresia. Em 1748 a Igreja declarou que tanto o tomismo quanto o molinismo, e ainda um outro ramo, chamado de Agostinianismo, são ensinamentos católicos aceitáveis).

O debate gira em torno de uma fórmula bem conhecida: a T.U.L.I.P. Uma sigla que lista as principais doutrinas sustentadas pelos calvinistas clássicos (existem alguns calvinistas, conhecidos como “Amiraldianos” ou “dos quatro pontos”, já que rejeitam o “L” da TULIP), mas que são rejeitadas pelos arminianos. Estas doutrinas são:

Total depravity (depravação total)
Unconditional election (eleição incondicional)
Limited atonement (expiação limitada)
Irresistible grace (graça irresistível)
Perseverance of the saints (perseverança dos santos)

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É importante que os católicos conheçam esses assuntos: primeiro, os católicos são sempre atacados por calvinistas que não entendem a doutrina católica a esse respeito. Segundo, os católicos geralmente não conhecem a doutrina de sua igreja sobre a predestinação. Terceiro, recentemente vários protestantes calvinistas têm se tornado católicos (Scott Hahn, Gerry Matatics, Steve Wood, eu mesmo e vários outros). Conhecendo melhor o calvinismo, católicos podem ajudar mais calvinistas a fazer o mesmo.

Depravação Total

Apesar do nome, esta doutrina não ensina que o homem seja somente ou sempre pecador. Os Calvinistas não pensam que nós somos pecadores tanto quanto o possível. Eles afirmam que nosso livre-arbítrio foi tão atingido pelo pecado original ao ponto de que, a não ser que Deus nos conceda uma graça especial, nós não podermos nos libertar do pecado e escolher servir a Deus por amor. Poderíamos escolher servir a Deus por temor, mas não por verdadeiro amor. (Não há nada de errado num temor obediente. A bíblia geralmente mostra o temor ao castigo divino como um fator motivador. Amor e uma porção de temor não se excluem; uma criança que ama seus pais também sente um temor respeitoso à sua disciplina. Porém a servidão baseada apenas no temor, para interesse próprio, não agrada a Deus no plano sobrenatural, e por isso não recebe uma recompensa sobrenatural. O amor é fundamental para agradar a Deus e receber recompensas).

O que um católico poderia pensar desta doutrina? Apesar de não utilizar o termo “depravação total” para descrever essa teoria (muitos calvinistas já assumem que este termo é equivocado. Por exemplo, o autor calvinista R.C. Sproul propõe um termo alternativo “corrupção radical”, apesar de também não ser muito melhor. Lorraine Boettner, outro calvinista, usa um termo mais ajustado “inabilidade total”), ele pode concordar com ela. A doutrina católica diz que, por causa da queda de Adão o homem perdeu o amor sobrenatural e não poderá fazer nada a não ser que Deus lhe conceda uma graça especial (Ludwing Ott, em Fundamentals of Catholic Dogma p. 229, traz que “para qualquer ato salutar a graça sobrenatural de Deus (gratia elevans) é absolutamente necessária”). Também citando o Concílio de Orange, que afirmou que “enquanto praticamos o bem Deus opera em nós e conosco, de forma que possamos praticá-lo” (cânon 9) e que “o homem nada faz de bom exceto aquilo que Deus ocasionou” (cânon 20). O Concílio de Trento ensina que “Se alguém disser que sem a inspiração preveniente do Espírito Santo e sem o seu auxílio, pode o homem crer, esperar e amar ou arrepender-se como convém para lhe ser conferida a graça da Justificação - seja excomungado” (Decreto sobre a Justificação, cânon 3). A Igreja ensina que a Graça de Deus é fundamental para permitir ao homem ser liberto do pecado, demonstrar genuínas virtudes e agradar a Deus.

São Tomás de Aquino escreveu que a graça especial é necessária para que o homem pratique qualquer bem sobrenatural: amar a Deus, seguir seus mandamentos, receber a vida eterna, se preparar para a salvação, afastar-se do pecado e evitá-lo, e perseverar (Summa Theologiae (daqui em diante ST) I:II:109:2-10).



Eleição Incondicional

A doutrina da eleição incondicional ensina que Deus não baseia suas escolhas (eleição) em nada além de sua própria vontade (para os Arminianos, Deus fundamenta sua escolha na previsão dos futuros atos dos eleitos). Deus escolhe quem lhe agrada e ignora todos os demais. Os escolhidos por Deus se arrependerão e aceitarão a salvação precisamente porque Ele os escolheu.

Para mostrar que Deus escolhe positivamente, e não apenas prevê, aqueles que virão até Ele, os calvinistas citam passagens como Romanos 9:15-18, que diz: “Porque ele disse a Moisés: Farei misericórdia a quem eu fizer misericórdia; terei compaixão de quem eu tiver compaixão...”, assim afirmam que nada depende da vontade ou esforço do homem, mas apenas da misericórdia de Deus. “...Portanto, ele tem misericórdia de quem quer, e endurece a quem quer.” (como católicos entendemos tal “endurecimento” nos termos de Romanos 1:20-32, onde Paulo descreve o que Deus fez aos pagãos em troca dos seus desejos imorais depois que O rejeitaram. Veja também Tiago 1:13).

O que um católico poderia dizer a respeito dessa doutrina? Certamente, ele é livre para concordar ou discordar deste ensinamento. Todos os tomistas e até alguns molinistas (como Roberto Bellarmino e Francisco Suarez) citam a eleição incondicional.

Tomás de Aquino escreveu:

“Deus quer manifestar sua bondade no homem: a respeito dos que predestinou, por sua misericórdia, em poupá-los, e a respeito dos demais, os quais reprovou, por sua justiça, em puni-los. É este o motivo por que Deus escolhe alguns e reprova outros... mas porquê Ele escolhe alguns para a glória e reprova outros baseia-se em nenhum outro motivo senão sua vontade divina. Disso diz Agostinho: porque Ele atrai um, e ao outro não atrai, não busquemos julgar, se tu não desejas errar.” (ST I:23:5, citando Agostinho em Homilias sobre o evangelho de João 26:2).


Mesmo que um católico possa concordar com a eleição incondicional, não poderá afirmar a “dupla predestinação”, doutrina que os calvinistas concluem a partir dela. Tal doutrina afirma que, além da eleição de pessoas para a salvação, Deus escolhe outras para a condenação.

A alternativa para a dupla predestinação é dizer que, enquanto Deus escolhe alguns para a glória, Ele simplesmente omite todos os demais. Estes não se converterão a Deus, mas por causa dos seus próprios pecados, e não porque Deus os abandonou. Esta conclusão é a doutrina da reprovação passiva, ensinada por Tomás de Aquino (ST 1:23:3).

Segundo o Concílio de Trento:

 “Se alguém disser que não está no poder do homem tornar os seus caminhos maus, mas que Deus faz tanto as obras más como as boas, não só enquanto Deus as permite, mas [as faz] em sentido próprio e pleno, de sorte que não é menos obra sua a própria traição de Judas do que a vocação de Paulo — seja excomungado... Se alguém disser que a graça da justificação só se dá aos predestinados para a vida, e que todos os outros que são chamados, são-no, sim, mas não recebem a graça, visto estarem pelo poder divino predestinados para o mal — seja excomungado.” [Concílio de Trento, cânones sobre a Justificação 6 e 17. Os mesmos pontos de vistas foram adotados pelos Concílios de Orange (531), Quiersy (853), Valência (855), apesar de não serem ecumênicos].

Expiação Limitada

Os calvinistas acreditam que a redenção (expiação) é limitada, que Cristo a ofereceu apenas a alguns poucos homens, que morreu apenas para aqueles eleitos. Para provar citam passagens que dizem que Cristo morreu por suas ovelhas (Jo 10:11), por seus amigos (Jo 15:13-14a) e para a Igreja (At 20:28; Ef 5:25). Os calvinistas veem nesse grupo aqueles que são os eleitos. Tal afirmação é falsa. Nem todos que, por certo tempo, são considerados “ovelhas” ou “amigos” de Cristo sempre o serão (veja abaixo sobre a perseverança dos santos), assim como, da mesma forma, nem todos que estão na Igreja assim permanecerão para sempre.

Não podemos usar estes três versículos para provar que Cristo morreu apenas pelos eleitos. Podemos dizer que o fato de uma pessoa aceitar se sacrificar por uma outra ou por determinado grupo de pessoas não exclui que ela se ofereceu também por outras (suponha que um pai se sacrificou para salvar um grupo de pessoas, entre elas sua família e amigos. Podemos dizer que ele se ofereceu pela sua família, mas seu sacrifício salvou o grupo inteiro, sua família e as outras pessoas). Achamos provas disso em Gálatas 2:20, onde Paulo diz que Cristo “me amou e se entregou por mim”, que de modo algum implica em dizer que Cristo não tenha se sacrificado por outras pessoas. Dizer que Cristo se ofereceu de modo especial por suas ovelhas, seus amigos e pela Igreja de modo algum pode provar que Ele também não se sacrificou por todos os homens de outra forma.

A Bíblia afirma que há um sentido pelo qual Cristo morreu por todos os homens. João 4:42 descreve Cristo como “salvador do mundo”, e 1 João 2:2 afirma que “Ele é a expiação pelos nossos pecados, e não somente pelos nossos, mas também pelos de todo o mundo.”. 1 Timótio 4:10 descreve Deus como “salvador de todos os homens, sobretudo dos que tem fé”. Tais passagens, associados aos ensinamentos da Igreja, requerem que o católico aceite que Cristo morreu para redimir a todos os homens.

Aquino ensina que:

“A paixão de Cristo não foi apenas uma suficiente, mas uma superabundante expiação para os pecados de toda a raça humana; de acordo com 1 João 2:2: Ele é a expiação pelos nossos pecados, e não somente pelos nossos, mas também pelos de todo o mundo” (ST III:48:2).

Porém isto não quer dizer que não exista certa limitação em relação à expiação. Enquanto que a graça concedida por ela seja suficiente para o “pagamento” de todos os nossos pecados, esta graça não será tornada de modo eficaz por todos. Pode-se dizer que, enquanto a suficiência da expiação não se limita, sua eficiência é limitada. Se a expiação fosse eficiente para toda a humanidade, o inferno não teria porque existir.

A diferença entre a suficiência e a eficiência da expiação explica a afirmação de Paulo, de que Deus é “Salvador de todos os homens, sobretudo dos que têm fé.” (1Tm 4:10). Deus é o salvador de todos os homens porque planejou um sacrifício suficiente para toda a humanidade. Ele é o salvador “sobretudo” dos que têm fé porque tornaram eficiente tal sacrifício. De acordo com Tomás de Aquino “Cristo é a propiciação dos nossos pecados, eficazmente para uns, mas suficientemente para todos, porque o preço do seu sangue é suficiente para a salvação de todos, mas é eficiente apenas aos eleitos” (Comentário a Tito 1:2:6).


Um católico também pode dizer que, no caminho da cruz, Cristo quis tornar a salvação possível para todos os homens, mas não pretendeu tornar a salvação atual para todos os homens – senão teríamos de afirmar que Cristo esteve na cruz com a intenção de que todos os homens fossem parar no céu, e este claramente não é o caso (Mt 18:7-9, 22:13, 24:40ss, 51, 25:30, Mc 9:48, Lc 3:17, 16:19-31 e especialmente Mt 7:13s, 26:24, Lc 13:23ss e At 1:25). Podemos dizer, portanto, que a expiação é limitada na eficiência, mas não na suficiência, e Deus quis que fosse assim. Entretanto, não há conflito em dizer que Deus quer que apenas alguns sejam salvos, visto que podemos desejar uma coisa, mas acabamos por fazer outra. É como se um pai desejasse não punir um filho, mas acaba tendo de fazê-lo. O católico não pode aceitar que a expiação é limitada porque foi feita apenas para os eleitos, mas pode dizer que a expiação pode ser limitada porque Deus quis que ela fosse eficiente apenas nos eleitos, apesar de ser suficiente para todos os homens (alguns calvinistas se preocupam com a afirmação de que a expiação é limitada. Preferem dizer que Cristo fez uma “redenção particular” ao invés de “expiação limitada”. Acaba significando a mesma coisa, mas como a primeira não se encaixa na sigla TULIP, a expiação é o termo mais usado).

Graça Irresistível

Os calvinistas ensinam que quando Deus concede a graça a uma pessoa, permitindo que ela seja salva, esta pessoa sempre responde e nunca rejeitará tal graça. Por isso muitos chamam esta doutrina de graça irresistível.Esta denominação tem a desvantagem de soar como se Deus forçasse as pessoas a se arrepender (como se um policial dissesse “é inútil resistir, venha com as mãos para o alto e se renda!”). E também soa bastante anti-bíblica, posto que esta mostra que a graça pode ser resistida. Em Atos 7:51 Estêvão diz aos Sanhedrin “vós sempre resistis aos Espírito Santo” (veja também Ecl 15:11-20 e Mt 23:37).

Alguns calvinistas, incomodados com a denominação “graça irresistível” propuseram alternativas. Loraine Boettner, renomado autor de livros anti-católicos, prefere “graça eficaz” (Loraine Boettner, The Reformed Doctrine of Predestination (Grand Rapids: Eerdmans, 1932), ch. 8, "Efficacious Grace."). A idéia é que a graça capacitante de Deus é intrinsecamente eficaz, e sempre produz a salvação.

Esta é a principal questão entre tomistas e molinistas. Os tomistas alegam que esta graça capacitante é intrinsecamente eficaz, por sua própria natureza, devido o tipo de graça que consiste, sempre produzindo o efeito da salvação. Os molinistas alegam que a graça capacitante de Deus apenas é suficiente, tornando-se eficaz naqueles indivíduos que a aceitam livremente, ao contrário da própria natureza da graça. Por isso os molinistas dizem que a graça é extrinsecamente, e não intrinsecamente, eficaz. (Deve-se dizer que os tomistas aceitam a existência do livre-arbítrio, não da forma que fazem os molinistas. Eles afirmam que a graça de Deus estabelece o que será livremente escolhido, mas de uma forma que não perturbe a livre vontade. Aquino disse “Deus muda a vontade sem forçá-la. Porém pode mudar a vontade pelo fato de que Ele mesmo opera na vontade assim como o faz na natureza" (De Veritatis 22:9).

Os católicos podem, então, concordar com a idéia de que a graça capacitante é intrinsecamente eficaz, e que se converterão todos que a receberem. São Tomás de Aquino ensinou: “Os desígnios de Deus não podem falhar...por conseguinte, se a intenção de Deus ao operar sobre o coração do homem é que este consiga a graça, a conseguirá infalivelmente, segundo Jo 6:45, ‘E todos serão ensinados por Deus. Quem escuta o ensinamento do Pai e dele depende vem a mim’.” (ST I-II:112.3). Vaticano II: “Com efeito, tendo Cristo morrido por todos e sendo uma só a vocação última do homem, isto é divina, devemos admitir que o Espírito Santo oferece a todos a possibilidade de se associarem, de modo conhecido por Deus, a este mistério pascal.” (Gaudium et Spes 22. “associarem...a este mistério pascal” significa ser salvo).

Perseverança dos Santos

Os calvinistas ensinam que se uma pessoa está na graça jamais a perderá, e irá perseverar até o fim da vida. Chamam esta doutrina de perseverança dos santos. Todos aqueles que, em algum momento, são santos (isto é, em estado de graça santificante, para usar a terminologia católica), permanecerão assim para sempre, não importando quais provações passem, sempre irão perseverar, e sua salvação estará assegurada eternamente (é diferente da doutrina batista, entre outras, de que “uma vez salvo, sempre salvo”, que ensina que a pessoa não pode perder a salvação, não importa o que aconteça, mesmo que perca a fé e renuncie a Cristo. A perseverança dos santos diz que, enquanto alguém perderá sua salvação se deixar de perseverar na fé e santidade, todos aqueles que vierem a Deus irão perseverar). Passagens como 1 Cor 6:9-10 e Gl 5:19-21, que dizem que quem pecar não herdará o paraíso, são entendidas como se, ao cometer certos tipos de pecados, a pessoa nunca foi um cristão de verdade, apesar de parecer sincero. Tanto a perseverança dos santos como a doutrina “uma vez salvo, sempre salvo” ensinam a “segurança eterna”, mas não são iguais. Os calvinistas admitem que existem pecados mortais, mas dizem que nenhum dos que são salvos cometerão estes tipos de pecado. Por outro lado, quem prega “uma vez salvo, sempre salvo”, independente de cometer ou não um pecado mortal, estará salvo.

Para sustentar esta doutrina os calvinistas dizem que nós nos tornamos crianças de Deus quando nos tornamos cristãos. Assim como a posição da criança na família é de segurança, nossa posição na família de Deus também é de segurança. Um pai não expulsaria uma criança, e Deus também não nos expulsaria.

Esse raciocínio é errado. Tal analogia não prova o que pretende. Crianças não possuem “segurança eterna” nas suas famílias. Primeiro, crianças podem ser rejeitadas. Segundo, mesmo se um pai não expulsar ninguém de casa, uma criança pode sair sozinha, desobedecer seus pais, e romper todos os laços com a sua família. Terceiro, crianças podem morrer. Nós, como crianças espirituais para Deus, podemos morrer espiritualmente após “nascidos de novo”. Cristo nos ensina que podemos ser crianças, romper nossos laços com nossa família e assim “morrer” espiritualmente, mas que podemos voltar e reviver, como que ressuscitados espiritualmente. (Lc 15:24,32)



Os calvinistas também usam a bíblia para defender a perseverança dos santos. Os principais são Jo 6:37-39, 10:27-29 e Rm 8:35-39. A interpretação calvinista se encontra fora de contexto. Jo 6:37-39 e 10:27-29 estão fora de contexto com Jo 15:1-6 que diz que os cristãos são os ramos da videira que é Jesus, que Deus remove todo ramo que não produz fruto, e que o destino desses ramos é serem lançados à fogueira. Rm 8:35-39 está fora do contexto com Rm 11:20-24, onde Paulo compara a Israel espiritual com um oliveira e que alguns ramos foram cortados pela incredulidade, onde os cristãos não serão poupados se também incorrerem no mesmo erro. Os ramos que foram cortados poderão ser novamente enxertados. Rm 8:35-39 também está fora de contexto com Rm 8:12ss e 14: 15.20, além de outros problemas exegéticos com a interpretação calvinista.

Os calvinistas também assumem que a perseverança dos santos trás consigo a ideia da predestinação. Se alguém está predestinado a ser salvo, ele não iria perseverar até o fim? Isto acarreta uma confusão acerca do quê as pessoas estão sendo predestinadas: à salvação inicial ou à salvação final? Parecem ser, mas não são a mesma coisa. Alguém pode ser predestinada a uma, mas isso não quer dizer que necessariamente está predestinada à outra. Por exemplo, se alguém estava predestinada a entrar na minha sala, isso não quer dizer que ela permanecerá na minha sala para sempre. Deve-se então definir qual o tipo de predestinação que se está falando.

Se a questão é a predestinação inicial à salvação, então o fato de uma pessoa estar com Deus não necessariamente significará que ela permanecerá com Deus. Se o assunto é sobre a predestinação final à salvação, então essa pessoa permanecerá com Deus, mas isso não significa que estes predestinados são apenas aqueles que experimentaram a salvação inicial. Existem aqueles que estão com Deus (porque foram predestinados à salvação inicial), mas que o deixam (porque não foram predestinados à salvação final). A teologia católica entende “predestinação” como “predestinação à salvação final”. Por isso aqueles que estarão com Deus no paraíso são os “predestinados” ou os “eleitos”. Pelo fato de alguém experimentar a salvação em determinado momento não significará que ele está entre os predestinados (porque a predestinação final não é conseqüência da predestinação inicial). Não há, portanto, razão para não crer que pessoas não possam “crer por apenas um momento” e que depois “na hora da tentação, desistem” (Lc 8,13). Eu reconhecia esse fato mesmo quando eu ainda era um ardente protestante.




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A idéia que de uma pessoa pode estar com Deus e mesmo assim não estar entre os predestinados soa estranho aos calvinistas, mas não soa estranho para Agostinho, Aquino, ou mesmo Lutero, pessoas a quem os calvinistas costumam citar como “calvinistas antes de Calvino”. O teólogo presbiteriano R.C. Sproul redefine o calvinismo como uma “forma” de agostinianismo. Apesar de a predestinação calvinista poder ser uma variação do ponto de vista de Agostinho, ela não é a mesma. Agostinho não concorda com o entendimento calvinista de perseverança dos santos, assim como toda a tradição agostiniana. O entendimento de Calvino foi uma novidade. Para uma discussão mais acurada sobre a perseverança dos santos leia o artigo de J.J. Davis The Perseverance of the Saints: A History of the Doctrine by John Jefferson Davis. (Davis é calvinista e está tentando corrigir os erros de outros calvinistas na história de sua doutrina)

Com tudo isso o católico pode até concordar com essa doutrina, desde que ela mude seu nome para “perseverança dos predestinados (ou eleitos)” (à salvação final, fique bem claro). 




Fonte: Catholic Answers. Tradução: Rondinelly Ribeiro. Escrito por James Akin

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

DEUTEROCANÔNICOS - SOBRANDO, OU FALTANDO?


Os livros deuterocanônicos estão sobrando ou faltando na Bíblia?

Um dos temas que muitas vezes chega a sair discussão entre as pessoas da fé católica e de outras denominações é a alegação de que estaria sobrando livros na Bíblia Católica na qual eles chamam de "apócrifos". Afinal nossos “deuterocanônicos” estão sobrando ou faltando livros? Neste simples estudo iremos expor as respostas adequadas a esta dúvida.



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Inicialmente a palavra “Apócrifo” é mau utilizada com relação a estes livros já que a palavra apócrifo provém do grego άπόκρυφος apokryphos, "oculto" e são aplicados aos livros que a Igreja retirou no Concílio de Cartago quando se formou o cânon das Escrituras tal como conhecemos hoje. Os sete livros que estão na Bíblia Católica não são apócrifos, são chamados de “Deuterocanônicos” mesmo que o termo descreva com pouca propriedades estes livros, eles são chamados Deuterocanônicos porque não estão no cânon judeu da Palestina, nos aprofundaremos mais neste assunto a seguir. 


Fonte: Apologética Siloé
Autor: Ministério Siloé
Tradução: Rogério Hirota em 25/Fev/2009



Mas, quais são estes livros?

Livro de Tobias
Livro de Judite
Complementações em grego do Livro de Ester
Complementações em grego do Livro de Daniel
Primeiro livro dos Macabeus
Segundo livro dos Macabeus
Livro da Sabedoria
Sirácides ou Eclesiástico
Livro de Baruc

Qual é a origem destes livros? Analisando um pouco da História devemos levar em consideração que os Judeus NÃO possuíam livros e sim rolos e para eles os escritos fundamentais em sua leitura e estudos era o Tora, ou seja, os cinco primeiros livros, assim como é até os dias de hoje. Os judeus também não possuíam uma compilação dos outros livros santos, além disso, dentro do Judaísmo não existia um Cânon Escritural, existia sim uma grande disputa sobre qual seria o cânon correto. O movimento religioso dos Saduceus sustentava que somente o Pentateuco fazia parte do Cânon das Escrituras enquanto que outros grupos consideravam também as

Escrituras dos Nevi'im (Profetas) e a Hagiographa (Livros históricos e didáticos). A Primeira tentativa de se reunir todos os livros  inspirados foi no Século II ANTES de Cristo na cidade de Alexandria e segundo a Enciclopédia.Net:

 “O nome dos Setenta se deve a uma tradição judaica, transmitida na Epístola de Aristeas que atribui sua tradução a 72 sábios judeus (seis de cada tribo) em 72 dias. Esta tradição tem sua origem na Gematria, uma técnica exegética que dá valores interpretativas  aos nomes onde o 7 equivale a perfeição. É denominado também como Alexandrina por ter sido feita em Alexandria e ser usada pelos judeus de língua grega no lugar do texto hebraico. É a principal versão grega por sua antiguidade e autoridade. Sua redação se iniciou no Século III aC (ano de 250 aC) e foi concluída  no final do século II antes de Cristo (ano 150 aC) “

Esta versão gozou de grande popularidade em todo o mundo judeu por ser a Primeira Grande Compilação das Escrituras e por ser escrita em Grego, idioma universal do mundo da época, mais de trezentas citações das Epístolas de São Paulo e citações do Antigo Testamento são tiradas desta versão o que indica que foi utilizada pelos Apóstolos e a Igreja Primitiva.

Até o momento já vimos três bases:

a) Os Judeus NÃO tinham um Cânon Escritural como nós, tinham como canônicas somente o Tora, os demais livros inspirados  NÃO estavam definidos canônicamente.

b) A primeira tentativa de compilação foi feita em Alexandria no Século III antes de Cristo e esta versão JAMAIS foi questionada ou recusada pelo Templo.

c) Esta era a versão mais conhecida e utilizada no tempo de Jesus e no tempo Apostólico.

Esta era a situação Escritural na época de Jesus: nas Sinagogas se lia os Rolos da Lei e para o estudo individual era utilizado a Versão dos Setenta. Depois do Pentecostes a situação não mudou muito e a Igreja nascente seguiu utilizando em seus cultos e em seus ensinamentos a versão dos Setenta junto dos Escritos Apostólicos (ainda sem definição canônica).

Até o ano 70 e depois da destruição de Jerusalém, o Sinédrio junto com o grupo dos Fariseus (que consideravam um cânon formado pela Lei, os Profetas e as Escrituras) continuou insistindo e trabalhando em um cânon definitivo já que tinham à sua frente à chamada “Seita Cristã” com seus livros judeus e suas novas Escrituras. Assim, no ano de 90 dC o Sinédrio estabelecido em Yamnia finalmente formou um cânon judeu e teve três regras para sua formação:

1) Deveria haver uma cópia do livro em questão que indicasse que foi escrito antes do ano 300 aC ( quando a helenização chegou a Palestina, com os problemas culturais e religiosos subseqüentes).

2) Que as cópias fossem escritos em hebraico ou pelo menos em aramaico (menos o grego que era a língua e cultura invasora e que era utilizada nos escritos cristãos).

3) Que tivesse uma mensagem considerada como inspirado ou dirigido ao povo de Deus (Judeu).

Uma das razões para retirar os livros escritos em grego, que eram em sua maioria Sapienciais e bem próximos ao início do cristianismo é que "soavam muito cristão". Este concílio judeu em Yamnia definitivamente NÃO teve nenhum efeito sobre a Igreja que já havia há vários anos se separado do judaísmo, este que foi ditado pelo mesmo órgão (e que por sua cegueira espiritual)
 havia crucificado o Messias esperado. A Aliança, então, foi transferida para a Igreja como Nova Aliança da Graça e os anciãos de Israel não possuíam nenhuma autoridade sobre a nova Fé. A Igreja seguiu utilizando como Escritura a antiga Versão dos Setenta. Curiosamente, fragmentos destes livros retirados da versão hebraica foram encontrados nos "Pergaminhos do Mar Morto".

Assim chegamos ao Edito de Milão e o final da perseguição religiosa dos cristãos, até esta data (313 dC) a Igreja só sobrevivia as perseguições e buscava guardar o rebanho. Estabelecendo então a Igreja é iniciado os Concílios e começa a se fixar a Doutrina. Uma das primeiras preocupações da Igreja foi determinar quais livros eram inspirados e quais não eram, nisso dois Concílios foram fundamentais. O Concílio de Roma no ano de 382 dC sobre a autoridade do Papa São Dâmaso nos dá a primeira relação dos livros Canônicos e os livros apócrifos. Copiamos as Palavras do Santo Concílio de Roma:

II. Também foi dito:

Agora devemos tratar sobre as Divinas Escrituras, as que são aceitas pela Igreja Católica Universal e as que se devem recusar.

1. Começa pela ordem do Antigo Testamento:

Gênesis = 1 Livro
Êxodo = 1 Livro
Levítico = 1 Livro
Números = 1 Livro
Deuteronômio = 1 Livro
Jesus Navé (Josué) = 1 Livro
Juízes = 1 Livro
Rute = 1 Livro
Reis = 4 Livro
Paralipômenos (Crônicas) = 2 Livro
150 Salmos = 1 Livro
Três livros de Salomão
Provérbios = 1 Livro
Eclesiastes = 1 Livro
Cântico dos Cânticos = 1 Livro
Igualmente, Sabedoria = 1 Livro
Eclesiástico= 1 Livro

.......................................
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2. A seguir a ordem dos Profetas:
Isaías = 1 Livro
Jeremias, considerado um livro com Cinoth, quer dizer, suas lamentações = 1 Livro
Ezequiel = 1 Livro
Daniel = 1 Livro
Oséias = 1 Livro
Amós = 1 Livro
Miquéias = 1 Livro
Joel = 1 Livro
Abdias = 1 Livro
Jonas = 1 Livro
Naum = 1 Livro
Habacuc = 1 Livro
Sofonías = 1 Livro
Ageu = 1 Livro
Zacarias = 1 Livro
Malaquias= 1 Livro

3. A seguir a ordem dos (livros) históricos:
Historia de la Biblia, Concilio de Nicea
Ilustración del Concilio de Nicea. El emperador Constatino, al centro, y los obispos sosteniendo
el credo de Nicea-Constantinopla, oración que resumió las bases de la doctrina católica.

Jó = 1 Livro
Tobias = 1 Livro
Esdras = 2 Livro
Ester = 1 Livro
Judite = 1 Livro
Macabeus = 2 Livro

4. A seguir a ordem das Escrituras do Novo Testamento, que a Santa Igreja Católica Romana aceita e venera:
Quatro livros dos Evangelhos:
   Segundo Mateus = 1 Livro
   Segundo Marcos = 1 Livro
   Segundo Lucas = 1 Livro
   Segundo João = 1 Livro
Igualmente, os Atos dos Apóstolos = 1 Livro
As epístolas do Apóstolo Paulo, no número de quatorze:
   Aos Romanos = 1 Epístola
   Aos Coríntios = 2 Epístola
   Aos Efésios = 1 Epístola
   Aos Tessalonicenses = 2 Epístola
   Aos Gálatas = 1 Epístola
   Aos Filipenses = 1 Epístola
   Aos Colossenses = 1 Epístola
   A Timóteo = 2 Epístola
   A Tito = 1 Epístola
   A Filemon = 1 Epístola
   Aos Hebreus = 1 Epístola
Igualmente, o Apocalipse de João = 1 Livro
Igualmente, As epístolas canônicas, em número de sete:
   Do Apóstolo Pedro = 2 Epístola
   Do Apóstolo Tiago = 1 Epístola
   Do Apóstolo João = 1 Epístola
   De outro João, presbítero = 2 Epístola
   Do Apóstolo Judas, o Zelote = 1 Epístola

Aqui termina o cânon do Novo Testamento.

Lista de apócrifos

V. Os demais escritos que foram compilados ou reconhecidos pelos hereges ou cismáticos, a Igreja Católica Apostólica Romana não recebe de maneira alguma; destes consideramos correto citar a continuação de alguns que foram passado de geração em geração e que são recusados pelos católicos:

Igualmente, a lista de livros apócrifos:

Em primeiro lugar, o Concilio de Sirmio, convocado por César Constâncio, filho de Constantino e presidido pelo Prefeito Tauro, que foi e sempre será condenado;

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O Itinerário em nome do Apóstolo Pedro, que é chamado livro nove de São Clemente
Os Atos em nome do Apóstolo André
Os Atos em nome do Apóstolo Tomás
Os Atos em nome do Apóstolo Pedro
Os Atos em nome do Apóstolo Felipe
O Evangelho em nome de Matias
O Evangelho em nome de Barnabé
O Evangelho em nome de Tiago o menor
O Evangelho em nome de Pedro
O Evangelho em nome de Tomás, usado pelos maniqueus
O Evangelho em nome de Bartolomeu
O Evangelho em nome de André
Os Evangelhos falsificados por Luciano
Os Evangelhos falsificados por Hesiquio
O livro sobre a infância do Salvador
O livro sobre a nascimento do Salvador e Maria
O livro do PASTOR DE HERMAS
Todos os livros feitos por Leucio, discípulo do diabo
O livro que é chamado A Fundação
O livro que é chamado O Tesouro
O livro das filhas de Adão Leptogeneseos (Livro dos Jubileus)
O Sermão sobre Cristo, colocado nos versos de Virgilio
O livro que é chamado Atos de Tecla e Paulo
O livro que é chamado de Nepote
O livro de Proverbios, escrito por hereges e pré-assinado com o nome de São Sixto
As Revelações que são chamadas de Paulo
As Revelações que são chamadas de Tomás
As Revelações que são chamada de Estevão
O livro que é chamado Assunção de Santa Maria
O livro que é chamado Penitência de Adão
O livro sobre Gog, o gigante que lutou contra o dragão depois do dilúvio, segundo afirmam os hereges
O livro que é chamado Testamento de Jó
O livro que é chamado Penitência de Orígenes
O livro que é chamado Penitência de São Cipriano
O livro que é chamado Penitência de Jamne e Mambre
O livro que é chamado Sorte dos Apóstolos
O livro que é chamado Louvores dos Apóstolos
O livro que é chamado Cânones dos Apóstolos
O livro O Fisiólogo, escrito por hereges e pré-assinado com nome de bem-aventurado Ambrósio
As Histórias de Eusébio Pánfilo
As obras de Tertuliano
As obras de Lactancio, também conhecido como Firmiano
As obras de Africano
As obras de Postumiano e Gallo
As obras de Montano, Priscila e Maximila
As obras de Fausto, o maniqueu
As obras de Comodiano
As obras do outro Clemente, de Alexandria
As obras de Tascio Cipriano
As obras de Arnobio
As obras de Ticônio
As obras de Cassiano, sacerdote de Galia
As obras de Victorino de Petabio
As obras de Fausto, regente de Galia
As obras de Frumêncio o cego
A Epístola de Jesus a Abgaro
A Epístola de Abgaro a Jesus
A Paixão de Quiricio e Julita
A Paixão de Jorge
Os escritos que são chamados Interdito de Salomão
Todas os escritos que foram compostos, em nome dos anjos como alguns acham, mas no nome dos maiores demônios

Estes e outros escritos similares como os de Simão o Mago, Nicolás, Cerinto, Marcião, Basílides, Ebion, Paulo de Samosata, Fotino e Bonoso que adoeceram de erros similares, também Montano com seus seguidores obscenos, Apolinaro, Valentino o maniqueu , Fausto Africano, Sabelio, Arrio, Macedonio, Eunomio, Novato, Sabacio, Calisto, Donato, Eustacio, Joviano, Pelagio,  Juliano de Eclana, Celestio, Maximiano, Prisciliano da Espanha, Nestório de Constantinopla, Máximo Cínico, Lampecio, Dióscoro, Eutiques, Pedro e o outro Pedro, um que desgraçou Alexandria e o outro Antioquía, Acacio de Constantinopla e seus partidários e todos os discípulos da heresia e dos hereges e os cismáticos, cujos nomes apenas foram preservados, que ensinaram ou escreveram, e não são somente repudiados por toda a Igreja Católica Apostólica Romana, mas que devem ser removidos os autores e seus seguidores, e condenados com o indissolúvel vínculo de anátema eterno.

Fragmento do código de Muratori - última página
conforme publicado pela Tregelles 1868
No final do século II d.C. já existia em Roma um cânon o ‘fragmento de Muratori’, documento que contêm a lista dos livros do Novo Testamento que a Igreja de Roma considerava e aceitava como inspirados.

Mais tarde o Concilio de Cartago  (397) vai determinar com a presença de Santo AGOSTINHO entre outros grandes Padres o Cânon das Escrituras e este Concilio define em seu Cânon 186, 36

“Fora as Escrituras canônicas, nada deve ser lido na Igreja sob o nome de Escrituras divinas, Pois bem, as Escrituras canônicas  são: Gênesis, Êxodo, Levítico, Números, Deuteronômio, Jesus Navé, Juízes, Rute, quatro livros dos Reis, dois livros dos Paralipômenos, Jó, Psaltério de David, Cinco livros de Salomão, doze livros dos profetas, Isaías, Jeremias, Daniel, Ezequiel, Tobias, Judite, Ester, dois livros dos Macabeus. Do Novo Testamento: Quatro livros dos Evangelhos, um livro dos Atos dos Apóstolos, treze Epístolas de Paulo Apóstolo, do mesmo uma aos Hebreus, dois de Pedro, três de João , uma de Tiago, uma de Judas, Apocalipse de João. Sobre a confirmação deste cânon consulte-se a Igreja transmarina. Seja lícito também ler as paixões dos mártires, quando se celebram seus aniversários.”

Neste Concilio é selado o Cânon do Novo Testamento com seus 27 livros tal como o conhecemos hoje e são separados definitivamente dos livros Apócrifos

Seguindo a Regra de ser aceitos somente os livros que:

1)      Tivessem origem Apostólica

2)      Fossem utilizadas na Liturgia desde o século I

3)      Não contivessem heresias

Para isso foi utilizada a informação passada pela TRADIÇÂO DA IGREJA

Junto com estes livros foi confirmada com a mesma autoridade a Versão dos Setenta como Versão Canônica do Antigo Testamento, nome que foi dado a partir deste Concilio para esta versão da Antiga Lei.

Este Concílio é referendado pelo Papa Silício e com São Jerônimo é iniciado a monumental obra da tradução das Escrituras do Grego ao Latim, trabalho que levou 40 anos de reclusão em uma caverna na Santa Gruta de Belém.

São Jerônimo (342-420 d.C.) fez a tradução das Escrituras judaicas do hebraico ao latim e excluiu os livros escritos em grego como não canônicos; contra isso Santo Agostinho se opôs e ratificou a importância dos livros escritos em grego no Concílio de Hipona (393). A decisão de Jerônimo foi recusada pelos concílios e ele aceitou a decisão outorgada pelos concílios.

A partir do século IV a Igreja introduz o termo “cânon”, para indicar com ela a clausura física do conjunto de livros integrada pelo Antigo Testamento e o Novo Testamento. Assim é declarado que a Biblia, por ser inspirada por Deus, é normativa no âmbito de doutrina e da fé.

E assim a Escritura começou a viver e dar frutos na Igreja Católica por 1120 anos até a fatídica data de 1517 quando com um papel cravado nas portas de uma Igreja causou a ruptura de dezesseis séculos de Cristianismo.

Com a Reforma do Sacerdote Agostiniano Martinho Lutero é iniciado uma nova etapa no Cristianismo que foi mais do que uma


“Reforma” foi uma demolição da Fé dos Apóstolos baseada no critério de um ou vários homens (os reformadores). Uma das primeiras conseqüências sofrida é na Bíblia. Rapidamente Lutero dá-se o trabalho de Reformar as Escrituras baseado em seus conceitos do que entendia por correto.

Martinho Lutero e outros Reformistas decidiram tentar remover os livros que faziam parte da Escritura Cristã desde os primórdios tais como Apocalipse e Tiago nas quais ele recusava como podemos ler em seus escritos:

"... A Epístola de Tiago é uma epístola cheia de palha, porque não contêm nada evangélico." "Prefacio ao Novo Testamento" de Lutero.

“... Ao meu parecer [o Livro das Revelações ou Apocalipse] não tem nenhum indício de caráter apostólico ou profético... Cada um pode formar sua própria opinião sobre este livro; pessoalmente tenho antipatia, e para mim isso é razão suficiente para recusá-lo." Sammtliche Werke, 63, pp. 169-170.

(Muitos Protestantes que baseiam suas Doutrinas no Apocalipse não sabem que quase o perderam, pois Lutero tentou retirar das Escrituras o Apocalipse, A Carta aos Hebreus e a Epístola de Tiago entre outros)

Martinho Lutero em um ataque de soberba e desprezando as decisões do Concilio de Roma e de Cartago acatou as decisões do Concilio Judeu de Yannia, aceitando o Cânon Judaico do ano 90 dC sem os sete livros escritos em Grego e assim a Bíblia Protestante continua até os DIAS de hoje. É por isso que NÃO NOS SOBRAM livros, já que estavam por mais de 1800 anos juntos e no Século XVI foram removidos, e são os que FALTAM  para a Igreja Protestante.

Atualmente existem muitas provas de que estes Livros estiveram junto ao povo judeu e eram utilizados por eles, algumas delas são:

a) Os manuscritos mais antigos do Antigo Testamento (mil anos) contêm os Deuterocanônicos. Com excessão da ausência de Macabeus no Codex Vaticanus, o mais antigo texto grego do Antigo Testamento, TODOS OS DEMAIS manuscritos contêm os sete livros.

Qumran
b) Dos 850 documentos que foram achados em Qumrán, uns 223 são cópias de livros distintos do Antigo Testamento; foram encontrados quase todos os livros da Bíblia hebraica (menos Ester), e alguns deuterocanônicos (Tobias, e Ben Sira ou Eclesiástico)...

c) Os judeus apesar de não aceitarem religiosamente os livros Deuterocanônicos os aceitam  historicamente ao celebrar festas que só são mencionados nestes livros, entre eles o Purin que é mencionado no Livro de Ester e o Hanuká que é mencionado no Livro dos Macabeus

No começo da Reforma nossa versão Bíblica não foi alvo ataques como podemos ver:

a) Martinho Lutero em seu Comentário sobre São João disse: "Somos obrigados a admitir dos Papistas que eles tem a Palavra de Deus, que a recebemos deles e que sem eles não teríamos nenhum conhecimento dela". Esta Igreja pronunciou que TODOS os 73 livros que compõe o Antigo e Novo Testamento são revelação.

b) Em 1615 o arcebispo anglicano de Canteburry proclamou uma lei que punia com castigo de um ano de cárcere à qualquer pessoa que publicasse a Bíblia sem os sete livros deuterocanônicos, já que a própria versão original da King James os tinha.

Portanto querido irmão como dissemos “não nos sobram livros, a eles é que faltam" já que por um ato pessoal e sem nenhuma base, estes livros foram retirados depois de 1200 anos de permanência. Estes livros:

a) Foram aceitos pelos Apóstolos e utilizados em seus Evangelhos e Epístolas

b) Foram aceitos pela Igreja Pós-Pentecostes e por toda a Igreja Primitiva

c) Foram proclamados CANÔNICOS ao mesmo Tempo e pela mesma autoridade que os 27 Livros do Novo Testamento.

Martinho Lutero os retirou em:

a) Um ato unitário e arbitrário

b) Sem consultar a Igreja e nem a um Concilio

c) Sem levar em consideração os aspectos históricos da permanência destes livros na Igreja

d) Aceitou a decisão de um Concílio Judeu que NÃO tinha nenhuma autoridade sobre os cristãos, não foi um Concilio Cristão dirigido pelo Espírito Santo.


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Como vimos os judeus na época de Jesus nunca tiveram um cânon escritural, vimos que este cânon foi criado no ano de 90dC quando a Igreja já estava separada do judaísmo há vários anos, vimos que estes livros NÃO foram aceitos pelo Concílio judaico de Yamnia por estar escrito na mesma língua dos textos cristãos e por sua linguagem ser muito similar a estes. Martinho Lutero em um ato de soberba, desprezo a obra do Espírito Santo no Concílio de Cartago preferiu aceitar a definição do mesmo Sinédrio que NÃO reconheceu seu Messias.

Não se pode desprezar parte da obra de um Concílio e aceitar outra. Um Concílio é aceito ou recusado por inteiro, pois bem, a mesma autoridade que formou o Cânon do Novo Testamento formou também o Cânon do Antigo Testamento, NÃO se pode aceitar os 27 livros do Novo Testamento e desprezar a versão dos Setenta. Oras, se a Igreja se equivocou ao definir como canônico  a Versão dos Setenta então os 27 livros do Novo Testamento também definidos pela Igreja estariam expostos a um equívoco e se estes 27 livros são duvidosos, vã é nossa fé. Duvidar da Igreja é duvidar das Escrituras. A quem você escuta?